quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Setembro, 16 - 1930

Ela era apaixonada por Benito de Paula, imitava a Marylin Monroe e era fã de Elis.

Sempre bem maquiada, o frasco do seu perfume parecia um minarete.

Ouvia Luiz Vieira no rádio de pilha enquanto escolhia os brincos, antes de ir trabalhar.

Corria atrás da gente com a língua de boi que ainda ia cozinhar para brincar de "boi lambeu". Uma brincadeira meio esquisita que, além de produzir estranheza no espírito, deixava as pernas bem vermelhas!

Era devota de Santa Bárbara e colecionava letras de bolero dentro do enorme livro preto de receitas. Originalmente, um livro de registro, com páginas numeradas, que ela trouxe da sessão em que trabalhava. Depois virou relíquia, com fotos de guloseimas que pareciam flores e assados que eu jurava serem de verniz...

(pausa)

...Era capaz de ter salvado o mundo (até virado santa!) se, ao invés de processos, tivesse produzido ambrosia.

(Para Elívia, minha mãe. Para Betina, minha irmã)

domingo, 12 de julho de 2009

Solilóquio


"Eu pertenço a terra! Sou inumano! Fora as lamentações!

Fora elegias e réquiens! Que os mortos comam os mortos.

Dancemos nós, os vivos, à beira da cratera, uma última e agonizante dança.

Mas que seja uma dança!"

(Henry Miller)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pelo buraco da fechadura

 "A arte tenta desvendar o mistério de viver e morrer." - Kazuo Ohno

(Para o poeta Bardo)

Espie aqui!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Desde de sempre


(Para Betina)

domingo, 10 de maio de 2009

Dia das mães

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Me salve, Jorge!


St. George and the Princess Sabra - Dante Gabriel Rossetti

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Diante da palavra III"



A fala avança no escuro.
O espaço não se estende mas se escuta.
Pela fala, a matéria está aberta, crivada de palavras;
O real ali se desdobra.
O espaço não é o lugar dos corpos; ele não nos serve de apoio.
A linguagem o carrega agora diante de nós e em nós,
visível e oferecido, tenso, apresentado, aberto pelo drama
do tempo no qual estamos com ele suspensos.
O que há de mais bonito na linguagem é que passamos com ela.
Tudo isso não é dito pelas ciências comunicativas mas nós
sabemos muito bem disso com nossas mãos na noite:
que a linguagem é o lugar do aparecimento do espaço.


(Valère Novarina)