sábado, 29 de maio de 2010

A vida é um cabaré, colega. Venha ao cabaré. Venha beber nosso vinho!



Durante o espetáculo, nós, que estamos envolvidos com a realização daquilo, naquele momento e que também sabemos o que vai acontecer, ficamos em uma espécie de suspensão, esperando a coisa se completar. Precisamos sentir durante/após o espetáculo, o que está acontecendo com as pessoas a quem dedicamos aquilo, naquele momento. Aquelas pessoas que estão na platéia nos ouvindo com e através dos sentidos, essa escuta viva de experiência. Entretanto, não podemos nos preocupar com ela. Estamos ocupados exclusivamente com as ações e comprometimento dos nossos sentidos.
 

Durante o processo criativo, nós nos emocionamos com as possibilidades.
Com o olhar que lançamos sobre determinada coisa, com o encantamento que é descobrir uma forma de contar uma história. E também em descobrir uma história e que há infinitas formas de contar uma história, como na poesia.

Mas tudo isso fica em suspenso, a cada espetáculo, até se completar com o que acontece nelas, naquelas pessoas a quem oferecemos nosso olhar sobre o mundo. E é infinitamente emocionante quando há concordância. Sabendo que, pelo significado literal desse verbo, concordar com alguém é partilhar do mesmo coração.

Teatro é um ritual muito específico. Para que ele aconteça é preciso preparação. Porque teatro é uma coisa que não se pode guardar, reter. É um denso que se rarefaz. É uma duração.
Teatro é específicamente aquilo que acontece entre o ator e o espectador. O resto é só a preparação para isso. O teatro mesmo aparece só ali, nesse encontro.

Mas, nossa! Como é poderoso.


(Para Erica Magni, que me inspirou essa nota e para os atores e público do nosso Cabaret Favela Rouge, apresentado ontem no teatro Sérgio Porto no Rio de Janeiro, totalmente comprometidos com uma experiência dos sentidos)

2 comentários:

Caipirinha da Silva disse...

é medonho de tão poderoso, dá até medo de pensar em assistir novamente e de se entregar novamente, pra se embascacar novamente... Viva a arte!

Insolente disse...

nossa, que lindo.